Cultura de Meritocracia

A palavra meritocracia resume a ideia de que se deve reconhecer e recompensar alguém por alcançar um resultados. Continue lendo.

A palavra meritocracia resume a ideia de que se deve reconhecer e recompensar alguém por alcançar um resultados. Por conta disto, em um ambiente de trabalho regido pela Meritocracia deve haver clareza de resultados a serem alcançados e justiça sobre o reconhecimento quando alguém alcança esses resultados. As regras são claras, há recompensa financeira sobre atingimento de resultados, quem alcança mais resultados é mais reconhecido e recompensado, e assim por diante. Não há espaço para “amigos do rei”. Não basta o funcionário ser comprometido. Ele precisa de outras habilidades como:

– Organização para trabalhar por metas

– Foco

– Visão sistêmica e estratégica

Isso parece culminar em uma cultura saudável, clara, simples e orientada a resultados.

Mas é preciso entender uma Cultura com base em Meritocracia como um fim e não somente como um meio. Qual a diferença?

Meritocracia como um meio: a empresa tem metas claras e agressivas, desde metas comerciais, buscando aumento da receita, metas de redução de custos e de ganhos de market share sobre a concorrência. Há pouca margem para erros e os líderes da empresa sabem disso. Então os gestores imprimem em suas equipes um ritmo de trabalho duro, comunicam o objetivo, as metas, os resultados e todos começam a trabalhar.

Neste momento, coisas interessantes acontecem: profissionais começam a trabalhar além das 8 horas por dia, porque associam a ideia de que a quantidade de horas trabalhadas está diretamente relacionada a mais resultado; passa a haver bullying com colaboradores que não estão “dando duro” porque passam “apenas” 8 horas no escritório; disputas de poder entre áreas; quebra de políticas internas com o objetivo de trazer resultados, tudo isso sem mensurar os riscos. No fim, a empresa alcança seus resultados e os profissionais que bateram suas metas recebem seus bônus, porém, expondo a organização a diversos riscos que podem ser trabalhistas, de compliance, fraudes, de negócio e deterioração da cultura.

Há insegurança, o clima organizacional é mais tenso, pior ainda em áreas que não alcançaram as metas, entre outros. resulta em problemas de gestão como: maior turnover, mais incidência de doenças por estresse, mais ações trabalhistas, mais dificuldade em reter bons profissionais. E cada um desses problemas exige recursos para tratá-los: mais orçamento com contratações, salários mais altos para atrair profissionais melhores, mais recursos para contencioso trabalhista, e assim por diante.

Meritocracia com um fim: possui metas claras e agressivas, todas bem mapeadas e definidas. No entanto, firma primeiramente em valores claros como “trabalho em equipe” e “respeito”, e investe na incorporação desses valores como traços culturais. É incorporado o JEITO DE FAZER, este conectado a cultura.   Neste momento, coisas interessantes acontecem: as áreas passam a trabalhar em conjunto tendo em vista as metas a serem alcançadas (seja por metas cruzadas entre áreas, seja entre colaboradores); profissionais não associam a produtividade à quantidade de horas trabalhadas, resultando em cargas horárias alinhadas à demanda de atividades; há busca por simplificação dos processos, sem que haja perda de controle. No fim, a empresa alcança seus resultados e os profissionais que bateram suas metas recebem seus bônus, porém, sem expor a organização a riscos desnecessários. É muito mais fácil definir o Employer Value Proposition atrelado a uma cultura ética e meritocrática, facilitando a gestão de pessoas. Empresas que investem no reforço de valores e traços culturais que tornam claras as regras do jogo e filtrem excessos são capazes de alcançar resultados extraordinários ao mesmo tempo em que melhoram o clima, o engajamento e muitos outros indicadores, inclusive resultados!

Ambas culturas atingem os resultados, ambas reconhecem e remuneram os maiores desempenhos. Mas empresas que usam a meritocracia como um fim garantem o sucesso como resultado financeiro e cultural. 

Em análise:  

  • Sua organização é meritocrática?
  • Há uma cultura que fortaleça a meritocracia de forma justa, ética, responsável? Como líder, você esta propagando a meritocracia como um fim ou como um meio?
  • Estamos permitindo excessos ou colaborando com estes sob a justificativa única de meritocracia e resultado?

A grande verdade é que todos amam trabalhar por resultados. Pois a busca pela evolução é intrínseca ao ser humano, nos sentimos empoderados quando realizamos algo importante para nós, para nossa família, comunidade ou dentro de nosso trabalho e somos reconhecidos por isso. Mas alcançá-los em um ambiente em que há clareza de valores, uma cultura transparente e compartilhada de ‘como’ se deve buscá-los é muito melhor! Vamos cuidar da cultura, porque no fim, a meritocracia sempre existirá!

Bom Trabalho!

Marinei Carvalho | Sócia-Diretora DNA RH

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